Indices de liquidez - Ferramenta para sua Gestão Contábil

Indices de liquidez - Ferramenta para sua Gestão Contábil

Os índices de liquidez são razões entre determinadas variáveis contábeis de uma empresa que visam fornecer um indicador da capacidade da empresa de pagar suas dívidas, a partir da comparação entre os direitos realizáveis e as exigibilidades.
No geral, a liquidez decorre da capacidade da empresa ser lucrativa, da administração de seu ciclo financeiro e das suas decisões estratégicas de investimento e financiamento.
Tais índices são utilizados para avaliar a capacidade de pagamento da empresa, isto é, constitui uma apreciação sobre se a empresa tem capacidade para saldar seus compromissos.

Abaixo alguns índices de liquidez:

3.1. Índices de Liquidez

Os indicadores de liquidez medem a capacidade de a empresa cumprir suas obrigações, ou seja, pagar suas dívidas, assim medindo sua base financeira. Os indicadores são divididos em três índices.
O Índice de Liquidez Geral (ILG) indica quanto à empresa possui em dinheiro, bens e direito, realizáveis a curtos prazos e a longos prazos para fazer face às suas dívidas totais de curto e longo prazos (CORREIA NETO, 2007).

ILG

Quanto maior o ILG melhor é a saúde financeira no curto e longo prazo da empresa.
Analisando esse indicador, subentende-se que, se a empresa fosse parar suas atividades naquele momento, deveria pagar suas dívidas com seu disponível mais seus realizáveis, sem precisar envolver o ativo permanente.
O Índice de Liquidez Corrente (ILC), de acordo com Correia Neto (2007),faz a análise de quanto de dinheiro mais bens e direito realizáveis no próximo exercício em relação a suas obrigações no mesmo período.
Se o ILC for maior que 1, indica que o capital circulante é positivo, se for menor que 1, o capital circulante líquido será negativo, o que implica que a curto prazo a empresa não apresenta liquidez.

ILC

O Índice de Liquidez Seco (ILS) não utiliza o estoque no cálculo desse índice, pois o estoque é a parte do ativo circulante menos líquida. Ele é importante para avaliar a situação de liquidez da empresa sem levar em conta o estoque, assim pode partir do pressuposto que caso o estoque torne-se inutilizável qual seria a possibilidade da empresa saldar suas dívidas com o disponível e duplicatas a receber.

ILS

3.2. Índices de Estrutura

Para Correia Neto (2007) os índices de estrutura relacionam a composição de capitais próprios e de terceiros, medindo os níveis de imobilização de recursos. Rogers, et al (2006), falam que o grupo de índices de estrutura de capital objetiva analisar a estrutura das fontes passivas de recursos de companhia.
A participação de capitais de terceiros (CT/PL) indica se a empresa depende ou não de recursos externos. De acordo com Correia Neto (2007) há duas variações desse índice, onde, um compara o passivo circulante com o patrimônio liquido, verificando assim a dependência a terceiros em um curto prazo, e o outro acrescenta o exigível ao longo prazo ao passivo circulante mostrando a dependência a terceiros ao longo prazo.

CTPL

Se a relação for superior a 1, então a empresa possui dependência excessiva a capital externo.
A relação passivo circulante por capital de terceiros (PC/CT) demonstra quanto da dívida total da empresa é de curto prazo (CORREIA NETO, 2007). O índice demonstra o endividamento da empresa. Assim quanto menor o índice melhor é o resultado.

PCTC

A imobilização dos recursos permanentes (IRP) informa a proporção de recursos passivos no longo prazo (CORREIA NETO, 2007). Se o seu resultado for maior que 1, demonstra que os seus recursos a longo prazo não são suficiente para financiar sua aplicações permanentes, assim quanto menor esse índice melhor está a empresa.

IRP

A imobilização do patrimônio líquido (IPL) revela o quanto a empresa tem aplicado em ativo permanente e sua análise é análoga a IRP.

IPL

3.3. Índices de Rentabilidade

Correia Neto (2007) diz que os índices revelam o retorno que o empreendimento está proporcionando uma vez que o lucro isoladamente não trás informações completas.
O giro de ativo (GA) relaciona em um dado período a sua venda líquida com todos os ativos da empresa. Assim se uma empresa tiver um GA alto significa que mais eficiente é o uso dos ativos na geração de recitas para empresa.

GA

A lucratividade é o retorno em função da venda líquida e o seu resultado mostra o quanto a empresa conseguiu de lucro em cada unidade vendida. Ela pode ser subdividida em: lucratividade operacional e lucratividade líquida.

lucratividade
lucratividade-operacional
lucratividade-liquida

O retorno sobre o ativo (ROI) de acordo com Correia Neto (2007) reflete a eficiência na geração de lucros com seus ativos disponíveis, ou seja, a rentabilidade dos ativos. Quanto maior o ROI mais rentável é a empresa.

ROI

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) informa que se obtém por está investindo um capital na empresa, ou seja, quantas unidades monetárias os investidores têm de lucro por cada unidade investida.

ROE

4. Metodologia

A metodologia a ser usada no presente artigo está em concordância com o escopo de estudo através dos meios mais adequados no intuito de seguir um conjunto de etapas planejadas previamente. Assim sendo, essa pesquisa será feita através de um estudo teórico que terá como ponto de partida uma pesquisa bibliográfica e documental sobre a importância da análise de balanços. Utilizando-se de pesquisa quantitativo, através de dados coletados da empresa Petrobrás S/A no período de 2009 a 2010.
Para a realização do trabalho sobre a empresa citada, foram utilizadas algumas demonstrações financeiras, como o balanço patrimonial, a demonstração de resultado do exercício, bem como índices financeiros.
A fim de alcançar o objetivo proposto, pretende-se seguir alguns critérios como: conceituar os Índices de Liquidez, Estrutura e Rentabilidade; apresentar cálculos e comparações dos quocientes nos exercícios de 2009 a 2010; analisar os resultados apresentados, a fim de concluir se a empresa Petrobras, realmente apresenta uma situação econômico-financeira favorável. Portanto o objetivo desse trabalho é identificar se os índices econômico-financeiros garantem a viabilidade do empreendimento, fatores essenciais para tomada de decisões dentro das empresas.

5. Resultados e Análises

5.1. Balanço Patrimonial (BP)

A seguir o balanço patrimonial utilizado para a execução do presente artigo, referente aos anos de 2009 e 2010 (valores expressos em milhões de reais). O Balanço Patrimonial apresentado está de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, em observância as disposições contidas da Lei das Sociedades por Ações, e incorporam mudanças introduzidas por intermédio das Leis 11.638/07 e 11.941/09.
5.2. Demonstração de Resultados do Exercício (DRE)
A seguir a DRE da Petrobras utilizada para a execução do presente artigo, referente aos anos de 2009 e 2010 (valores expressos em milhões de reais). A DRE em questão está de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil, em observância às disposições contidas na Lei das Sociedades por Ações, e incorporam as mudanças introduzidas por intermédio das Leis 11.638/07 e 11.941/09.

5.3.1. Índice de Liquidez Geral (ILG)

De acordo com o quadro 1, verifica-se que, em 2009 a empresa possuia R$0,59 para cada R$ 1,00 de dívida e no ano de 2010 esse número sofreu um aumento e passou para R$0,69 para cada R$ 1,00 de dívida.
Tais valores se revelaram inesperados devido à magnitude da empresa, o que levaria a concluir que a empresa não tinha capacidade de honrar com seus compromissos, pois possuía menos direitos que obrigações, porém tais valores são justificados devido ao elevado valor de financiamento gerado pela empresa.

5.3.2. Índice de Liquidez Corrente (ILC)

Segundo o quadro 1, pode-se concluir que, no ano 2009 a empresa atingiu um ILC de 1,34 , o que significa que ela possuía R$ 1,34 de realizáveis a curto prazo para cada unidade monetária de dívida no mesmo período e em 2010 esse número subiu para R$ 1,87.

5.3.3. Índice de Liquidez Seca (ILS)

Como demonstra o quadro 1, no ano de 2009 a empresa possuía um ILS de 0,99 o que significa , que ela possuía R$0,99 (exceto o estoque) de realizáveis para cada uma unidade monetária no período e em 2010 esse número subiu para R$1,52 de realizáveis a curto prazo.

5.4.1. Participação de capitais de terceiros (CT/PL)
Como pode-se verificar no quadro 2 , no ano 2009 pelo fato do valor do CT/PL ser maior que 1 a empresa possuía uma certa dependência de capital externo, havendo assim uma maior utilização de capital de terceiros, porém em 2010 verifica-se que esse valor desceu para 0,676 podendo-se inferir que a empresa adquiriu um certo grau de dependência com relação ao dinheiro externo.

5.4.2. Passivo circulante /Capital de terceiros (PC/CT)

De acordo com o quadro 2, pode-se inferir que, em 2009 a empresa possuía uma boa folga para pagamento, pois o vencimento da dívida se dava em um período distante e no ano de 2010 tal folga se revelou maior ainda, devido ao fato de quanto menor o valor deste índice mais tarde será o vencimento da dívida.

5.4.3. Imobilização de recurso permanentes (IRP)

Como pode ser visto no quadro 2, no ano de 2009 a empresa tinha um IRP de 0,93 e no ano de 2010 um IRP de 0,89, assim pode-se afirmar que, tanto no ano de 2009 quanto no ano de 2010, os recursos a longo prazo da empresa eram suficientes para financiar suas aplicações em permanentes, pois nos dois anos o valor do IRP foi menor que 1.

5.4.4. Imobilização do Patrimônio Líquido (IPL)

A partir do quadro 2, pode-se concluir que, tanto no ano de 2009 quanto no ano de 2010, o valor de IPL é maior que 1 podendo assim concluir que a empresa possuía pouco capital imobilizado e que a maioria do seu capital está em giro.

5.5.1. Giro do Ativo (GA)

Levando em consideração os dados do quadro 3, verifica-se que, no ano de 2009 a empresa possuía um giro de ativo igual 0,52 que significa que cada unidade monetária de ativo foi utilizado na geração de R$0,52 de venda e no ano de 2010 esse valor diminuiu para 0,41 mostrando que cada unidade monetária de ativo foi utilizado na geração de R$ 0,41 de venda.

5.5.2. Lucratividade

A partir da análise dos dados do quadro 3, pode-se afirmar que, a empresa sofreu uma queda na sua lucratividade do ano de 2009 para o ano de 2010.

5.5.3. Lucratividade Operacional

De acordo com o quadro 3, o lucro operacional da empresa sofreu uma queda do ano de 2009 para o ano de 2010.

5.5.4. Lucratividade Líquida

Como se verifica no quadro 3, no ano de 2009 a empresa era dona de um lucro 18% para cada R$ 100 vendidos e em 2010 a empresa possuía um lucro de 16% para cada R$100 vendidos.

5.5.5. Rentabilidade ou ROI

Com base nos dados mostrados no quadro 3, pode-se inferir que, no ano de 2009 a empresa tinha um ROI de 9,5% indicando que para cada R$100 de ativos a empresa conseguia um lucro de R$9,5 e no ano de 2010 o ROI da empresa era de 6,9% mostrando que para cada R$100 de ativos a empresa tinha um lucro de R$6,9.

5.5.6. Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE)

Analisando os dados mostrados no quadro 3, verifica-se que, no ano de 2009 a empresa possuía um ROE de 19,9% o que significa que para cada R$100 de patrimônio líquido a empresa obtinha um lucro líquido de R$19,9 e no ano de 2010 empresa tinha um ROE de 11,5% que significa que para cada R$100 de patrimônio líquido a empresa alcançou um lucro líquido de R$11,5.

Desta forma certamente sua empresa irá melhorar as informações que dão base para uma melhor tomada de decisão dos gestores, levando a uma grande redução de riscos em relação ao futuro da empresa.